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#TBT – O dia que eu sentei do lado verde da arquibancada

Um clássico com tanto peso na história do futebol brasileiro como é um duelo que envolve Santos e Palmeiras, certamente traz aos torcedores os mais diversos causos para contar, seja ele da época de Pelé e Ademir da Guia ou da época de Robinho, Neymar, Dudu e Nilson (um dos nomes mais importantes da história do clássico, credo). Comigo não é diferente.

Com 12 para 13 anos, tive minha primeira experiência em uma torcida adversária. No dia 25 de agosto de 2012, fui ao Pacaembu, com meu tio Thiago (palmeirense dos mais chatos), dois amigos e minha tia Rafaela (santista, como eu). A partida? Palmeiras e Santos, pela 19ª rodada do Campeonato Brasileiro, com mando da equipe alviverde.

A primeira vez que havia ido ao estádio Paulo Machado de Carvalho também é memorável: vitória alvinegra por 2 a 1 contra o Peñarol, em 2011. Lembra?

Voltando ao assunto. Agosto de 2019: a tensão de um pré-adolescente em ir na torcida rival é tão grande quanto a ansiedade. Para tal, decidi me trajar de verde (não com a camisa do rival, é claro). O disfarce, porém, acabaria logo no primeiro tempo.

Após as duas primeiras boas chances serem palmeirenses, aos 41, o rival chegou ao gol. Do lado do campo das arquibancadas amarela e verde, o volante Corrêa recebeu a bola após boa troca de passes e, de fora da área, acertou um petardo certeiro no canto esquerdo de Rafael. Na comemoração, fui pressionado a abraçar os demais e pular, ao som de “dá-lhe Porco, dá-lhe Porco”.

Ah, mas o disfarce foi revelado ainda na etapa inicial, lembra? Pois bem, aos 43, Ganso foi derrubado na intermediária. Neymar, cobrado à época pela falta de grandes atuações e resultados contra a equipe de Palestra Itália – e seu clube de coração na infância -, chamou a responsabilidade e bateu. Lembro-me como se fosse hoje da tensão no olhar palestrino – que via seu time ameaçado de rebaixamento – e da esperança no olhar alvinegro. Esperança que se acendeu com a longa e demorada viagem da bola, desde os pés do camisa 11 até encostar a parte interna da rede lateral no canto direito do goleiro Bruno.

O santista infiltrado no tobogã alviverde, que estava longe de estar cheio, diga-se de passagem, foi descoberto ao sorrir no golaço de Neymar. Que gol! Impossível conter a euforia, por mais que tentasse.

Veio a etapa final. A noite não era de PH Ganso, de André ou de Patito (Ave Maria!). A noite era toda de Neymar, como em diversas outras aparições brilhantes do craque.

Aos 17 minutos do segundo tempo, Ganso recebeu e só deu um leve toque para ajeitar a bola para o camisa 11. Neymar dominou, ajeitou duas vezes, preparou e chutou. O estádio assistiu um chute fraco de fora da área, mas que acertou o cantinho direito (de novo) de Bruno, mal posicionado. A bola tocou cheia de charme na trave antes de entrar e decretar a virada santista.

A arquibancada visitante estava em festa, enquanto gargalhei uma gargalhada segurada. Uma gargalhada entre os dentes, com a boca fechada. Gargalhei ainda mais ao assistir a desolação palmeirense, que culminaria no segundo rebaixamento da grandiosa história do rival ao final daquele ano. Mas a festa alvinegra do lado dos visitantes consolou a minha descontrolada euforia controlada.

E o jogo? Ah, o Santos deu uma segurada e só aos 43 o Palmeiras voltaria a incomodar. Barcos cabeceou no canto após cruzamento, mas Rafael estava lá para fazer a melhor defesa daquele Clássico da Saudade, que, neste momento, só traz saudade ao torcedor santista.

Estar sentado do lado verde da arquibancada foi uma baita experiência, potencializada com a virada para cima do rival.

 

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Meu Peixão

21 anos, estudante de Jornalismo na UNISANTA. Apaixonado pelo jornalismo, fanático por futebol.

2 Comentários

2 Comentários

  1. Fabricia

    6 de maio de 2021 às 20:35

    Belo texto

  2. Francisco Ernesto Rosario

    6 de maio de 2021 às 16:29

    Assim se faz a história dos apaixonados pelo futebol.
    Grande resenha.

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