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OPINIÃO – 2021 acabou. Ainda bem!

Por: Ivan Belmudes

Tenho 33 anos, acompanho o Santos Futebol Clube desde 1994, quando via aos jogos do Santos na TV preta e branca da minha bisavó. A TV era colorida, mas dona Ana Filomena pedia para mudar as cores para PB, como gostava. E assim via aos jogos sempre em alvinegro fugindo da nova realidade imposta pelas cores, afinal ela via o Santos no tempo que o “time de preto e branco” dominava o mundo.

Em 1995 não teve como não me apaixonar de vez por esse clube. Mas acompanhar assiduamente e entendendo bem o que via, só a partir de 1998. Fiz essa pequena introdução e volta ao passado apenas para concluir que 2021 foi o pior ano da minha vida como torcedor do Santos. E foi ao mesmo tempo, a pior temporada da história do clube. Vale lembrar que antes do início da temporada de 2021 teve o final da temporada de 2020… Janeiro foi um mês estranho. Tivemos os jogos épicos contra o Boca Juniors ainda válidos pela temporada passada e a vitória contra o São Paulo, depois de passar um ano inteiro sem vitórias em clássicos.

A Final
Chegávamos na nossa quinta final de Libertadores, a competição da vingança, onde na mesma edição devolvemos ao Boca e Grêmio as eliminações passadas. Mas a derradeira vingança, essa jamais aconteceu.
Aqui vale um pequeno parênteses. Era o primeiro mês de mandato do Rueda, que já me decepcionava com a maneira como tratou os convites recebidos da Conmebol para final da Libertadores. Primeiro, por não ter tido força de bastidor para ter igualdade com o rival (o Palmeiras recebeu mais convites, não me pergunte como, já ouvi que a culpa foi da CBF, enfim).

O que mais me decepcionou foi a forma com a qual essa diretoria lidou com as entradas que receberam. Foi uma verdadeira farra… Teve distribuição para políticos (no plural), para membros do CG, CD, empresários de atletas… uma farra. Mas e o torcedor? Esse foi premiado com pouquíssimos ingressos distribuídos entre sócios que mais foram aos jogos (critério justo). Mas eu vi pela TV santista que nem era sócio no Maracanã. Enfim…
No jogo, uma derrota horrível, justamente por deixar a nítida impressão de que era inteiramente possível vencer.

Nova temporada
Cuca como era esperado foi embora, mentindo mais uma vez sobre o motivo. O Santos, numa temporada atípica, sem pré-temporada traz o Ariel Holan. Em poucos meses o argentino teria que: Conhecer o elenco, mudar o esquema, ganhar confiança, passar da pré-Libertadores e se classificar no Paulistão. Bem, tinha tudo pra dar merda. E deu.

Utilizando muitos jogadores do Santos B e sub-20 até mesmo em clássicos, o argentino conseguiu proezas como ser goleado pela Ponte Preta e SP, além de perder do (na época) horroroso Corinthians, em plena Vila Belmiro.
Antes disso tinha classificado o clube para fase de grupos da Libertadores e na primeira rodada já nos eliminava (pois a vexatória derrota na Vila para o Barcelona do Equador foi o fio da meada para cairmos na Liberta).

Mas foi o revés no clássico que custou caro. Holan já não era mais o técnico do Peixe. A atual direção estava mais perdida que eu em restaurante buffet, não sabia o que fazer, ou quem trazer. Nunca fui fã do Marcelo Fernandes, mas coube a ele evitar o rebaixamento. O Santos terminava, ainda assim, com a pior campanha do clube na história do campeonato Paulista.

Dinizismo
Com a mesma convicção que o Baggio foi pra bola em 1994, Rueda e seus pares escolheram o técnico que aceitou vir sem multa rescisória, com forte lobby de um tal de Bertolucci, era uma “tacada de mestre”, trazia um grande técnico e de cara agradava ao staff do Kaio Jorge que acabaria renovando. Tinha tudo pra dar merda. E deu.
Pra começar o KJ foi embora rendendo um valor mínimo ao Peixe que teve que lutar para receber provando o assédio pretérito da Juventus.

Quanto ao Diniz foi o pior técnico da história do Santos FC, sem sombra de dúvidas. Com ele o time parecia um catadão peladeiro. Conseguimos ser eliminados na primeira fase da Libertadores, igualando a pior campanha da história do clube na competição. Diniz completou com chave de merda e foi eliminado da Copa Sul-americana. Só não foi rebaixado no brasileiro, pois interromperam o “projeto” do professor (pardal).

Time do Carille
Coube ao Carille, treinador trazido sem qualquer convicção do CG, ou Rueda. Que gozava de zero prestígio com a torcida, já temerosa pelo pior. Tinha tudo pra dar merda, mas não deu. O time alternou momentos horríveis em campo como nas derrotas para América, Corinthians e empate com o Cuiabá, com vitórias épicas, como contra o Grêmio e Athletico Paranaense… Além de jogos em que o time realmente desempenhou um grande futebol, como contra o Flamengo, Fluminense e o RedBull Bragantino. O time terminou em 10⁰, famoso GSantos, não caiu, mas corremos muitos riscos.

Balanço de resultados:do pior ano da história:

– Paulista – Risco de rebaixamento, pior campanha da história.
– Libertadores – Eliminado na primeira fase. Pior campanha da história do clube.
– Sul-americana – Eliminado pelo possante Libertad em jogo melancólico no Paraguai.
– Brasileiro – Risco de rebaixamento. Uma única vitória em clássico (SP na Vila). Goleado pelo Flamengo na Vila Belmiro e colocado na roda pelo rival Palmeiras. Pra piorar, vimos o time da Crefisa ser novamente campeão da Libertadores, nos igualando em conquistas num único ano.

Lado positivo
A nova onda no momento é a positividade. Mantras, palavras bonitas, o tal “hoponopipipipopopó”. Enfim, minha esposa vive dizendo: “Ivan veja o lado positivo”, sinceramente, depois de muito refletir e pensar sobre isso, contar e perceber que utilizei a palavra “merda” cinco vezes nesse texto (contando com essa). Percebo que o lado positivo é… “o ano acabou”.

2022, o que esperar?
Tal qual minha bisa Ana Filomena, minha vontade era voltar no passado, ela mudava a TV para o PB, já eu sonho.
Nos meus devaneios oníricos, sonho que, assim como em 2002 ou 2010, um milagre acontece e os meninos carregam o Peixe para títulos e glórias. Nessas horas esqueço o planejamento falho, as contratações que não acontecerão, ou os possíveis ingratos que sairão de graça. Apenas torço cegamente por um milagre… Afinal temos todos os Santos no nome, que um nos salve na próxima temporada.

 

Ivan Belmudes é jornalista, documentarista, professor de história e fanático pelo Santos.

 

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Meu Peixão

 

Jornalista graduado pela Universidade FiamFaam. Santista, romântico da bola e amante do futebol varzeano. Colaborador no Cancha Santista e colecionador em transmissões na Equipe Líder, Rede Continua e Rádio Prorrogação

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