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SAF no Santos? To Fora

Caros amigos alvinegros, muito se fala nas redes sociais sobre o Santos virar uma SAF, ou Sociedade Anônima de Futebol, sinceramente não faz o menor sentido.

Pra começar, a dívida do Santos é grande, mas atualmente, muito graças as negociações recentes feitas pelo grupo do Rueda, trata-se de uma dívida mais controlada, que custaria a venda de no máximo quatro excelentes jogadores da base.

Vamos calcular:

  • Hoje o Santos deve algo em torno de R$450 milhões. Sendo que deste montante R$130 milhões são do Profut, ou seja negociações longas.
  • Com R$320 milhões paga tudo.
  • EURO 6 X 1 Real
  • Ou seja: 55 milhões em vendas de atletas da base, pagam a dívida e sobra grana.
  • Isso pode ser conquistado com dois atletas, três, ou na pior das hipóteses quatro. (Acho que só Ângelo + Kaiky zeram nossa dívida).

Ou seja, nosso patrimônio, contando com atletas, é maior que a dívida.

Mas não seria bom ter um milionário bancando o Peixe? Claro que sim. Mas a SAF não é isso.

Um empresário quer dinheiro e retorno do investimento. O futebol BR não rende esse retorno. Sendo assim, os clubes daqui tornam-se um excelente negócio se o modelo for: Vender jogadores jovens para Europa.

Um dono não estaria preocupado com o clube, mas com o retorno financeiro. Dito isso, um empresário vai querer desenvolver um jogador no Santos? Correndo o risco dele se machucar e valer menos. Ou vender ainda na base por um valor bom?

Vamos imaginar outra situação? Um grupo dono de um time espanhol, suponhamos o Betis, compra o Santos através de uma SAF, o time do Peixe está com um novo Neymar no elenco da base. Sinceramente, o que seria melhor pra o dono?

Pensando em vender para um time top da Europa, obviamente a participação do jogador na Liga Espanhola faz ele valer muito mais.

Ou seja o Santos viraria uma barriga de aluguel de times europeus, como o Huachipato é no Chile. Aliás, o país vizinho é um bom exemplo, os times viraram empresas e resolveram parar de investir na base como faziam. O Chile virou barriga de aluguel de jovens argentinos, uruguaios, venezuelanos, enfim… Desenvolvem jogadores jovens na primeira divisão, para eles ganharem casca e vender.

Os clubes são inexpressivos no continente, a seleção local não tem mais jovens talentos… mas os empresários estão lucrando horrores.

Tal qual no Brasil, onde a bolsa rende lucros incomensuráveis, mas o povo passa fome e come osso.

Eu amo o Santos, por isso quero que o clube jamais vire uma SAF, não é um bom negócio. E por falar nisso o tal CEO da XP deveria pedir baixa do CG. Pra você amigo leitor existe conflito de interesse? Afinal ele representa clubes em busca de donos no modelo das SAFs. Como confiar na isenção dele ao ser gestor no nosso clube?

 

Ivan Belmudes é jornalista, documentarista, professor de história e fanático pelo Santos.

Twitter: @Don_Belmudes

5 Comentários

5 Comentários

  1. João Guilherme

    28 de dezembro de 2021 às 22:53

    Depende muito. O Brangantino mesmo é um time empresa e olha o nível de competitividade que o time cresceu, sendo que ele é muuuuito menos expressivo que o Santos. Seu exemplo do chile foi de um time sem expressividade em um país com muito menos tradição, diferente do Santos. Quem é Huachipato perto do Peixe? Também tem outra questão, o Rueda está amortizando a dívida, ok… Amanhã ele sai, entra um pilantra qualquer e deixa o Santos pior que o Vasco? Pelo menos a SAF não corremos esse risco. Acredito que com SAF o time seria focado em Criar times de meninos da vila, seria épico. Claro respeito sua opinião, não sei quem está certo ou errado só o tempo dirá. Abs

  2. Vinicius

    28 de dezembro de 2021 às 05:46

    Portal Meu Modestão nunca decepciona

  3. Luiz Basilio

    26 de dezembro de 2021 às 10:01

    Podemos falar que os clubes SAF serão colônias dos clubes europeus. Só servem para mandar riquezas para europa

  4. Renato Silva

    22 de dezembro de 2021 às 10:55

    Respeito a opinião do autor, porém tenho que discordar. Não precisamos de mais exemplos de más gestões que arruinaram o Santos, e mesmo que a diretoria atual resolva o problema do clube, não existe nenhuma garantia que outro aventureiro consiga se eleger e cause outro retrocesso. Temos o caso recente do clube Barcelona que regrediu 20 anos em apenas uma gestão desastrosa. Temos que convir, o clube é de todos e ao mesmo tempo não é de ninguém, isso é a tragédia dos comuns. Temos também o exemplo do Bragantino que com 2 anos de gestão profissional do futebol está na libertadores e já foi finalista de competição sul-americana, enquanto lutamos contra o rebaixamento. Existe sim uma forma de conciliar bons resultados financeiros com bons resultados esportivos e acredito que apenas as obrigações de uma SA por si só já seriam um freio contra abusos que cometem contra a instituição Santos Futebol Clube há anos.

  5. Cicero Leão

    22 de dezembro de 2021 às 09:25

    E se a situação fosse inversa ? O clube afogado nas dívidas? E se o investidor só tiver um clube no seu portfólio de investimento? E se a base for protegida por regras?

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