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As heranças de Cuca…

Quem me conhece, sabe que não sou grande admirador dos trabalhos do técnico Cuca, que soma três passagens pelo Santos no currículo: 2008, 2018 e 2020. Exceto à chegada na última final da Libertadores, nenhuma teve algum grande destaque.

Em 2008, Cuca comandou o Santos em 17 partidas, com três vitórias, quatro empates e dez derrotas. Mas foquemos nas duas passagens recentes.

Em 2018, o técnico teve resultados ruins no início, engatou uma sequência boa no Brasileirão e levou o time da briga por rebaixamento à disputa pela Libertadores. Nas rodadas finais, perdeu o gás e terminou em 10º. Caiu nos pênaltis nas quartas de final da Copa do Brasil para o Cruzeiro (com um lance no último minuto onde o árbitro assinalou impedimento e Gabriel sairia cara a cara com Fábio) e nas oitavas de final da Libertadores para o Independiente, no jogo que não acabou por conta dos protestos da torcida contra a punição sofrida pela escalação irregular de Sánchez.

Cuca saiu e Sampaoli chegou, mas retornaria ao Santos em 2020 após a demissão de Jesualdo Ferreira. Assim como em 2018, após a saída de Jair Ventura, pegou terra arrasada: um time sem identidade e a torcida sem qualquer expectativa.

Foto: Ivan Storti/Santos FC

Mas Cuca chegou assumindo todas as funções possíveis: treinador (talvez a que menos desempenhou), psicólogo, diretor e, segundo Marinho, até presidente. Os resultados iniciais no Brasileirão foram interessantes e uma excelente fase de grupos da Libertadores foi feita. Então vieram os mata-mata: na Copa do Brasil, o Santos foi eliminado para o Ceará sem qualquer poder de reação após sofrer 1 a 0 no jogo de volta. Por outro lado, avançou contra a LDU (no sufoco) nas oitavas de final da Libertadores e despachou com ampla superioridade Grêmio e Boca Juniors até chegar à final contra o Palmeiras. Pronto! Cuca fazia um trabalho EXCELENTE (será? Não seria um trabalho apostando todas as fichas em apenas uma competição? Como foi duramente criticado Dorival por apostar na Copa-BR 15?). Como todos sabem, a Libertadores foi perdida e a vaga na pré via Brasileirão quase não veio. E o principal: as atuações, nas duas passagens, não encantaram (pelo menos a mim) – e em 2018, tínhamos um ataque com Bruno Henrique, Rodrygo e Gabigol.

Cuca alegou problemas pessoais e deixou o clube antes mesmo do fim da temporada, em 21 de fevereiro. Em 5 de março, foi anunciado no Atlético-MG para substituir Jorge Sampaoli. Desde então, o Galo (que já havia anunciado Dodô, Nacho Fernández e Hulk) não anunciou reforços. Mas jogadores como Alison (o mais recente), Lucas Braga e Marinho já foram especulados para irem à Minas Gerais trabalhar com o ex-treinador.

Então, surge a pergunta: por quê Cuca não leva os reforços que indicou para o Santos?

O primeiro caso é do centroavante Felippe Cardoso. À época, o clube buscava um camisa 9 e tinha negociações avançadas com Marco Rubén, então no Rosário Central da Argentina, mas, por indicação do técnico, optou por comprar 60% de Felippe Cardoso da Ponte Preta por R$ 3 milhões. O atacante não vingou e foi emprestado para Ceará e Fluminense, sem sucesso, e agora está acertado com o Vegalta Sendai do Japão, à espera da autorização para ir ao país asiático.

Foto: Gabriel dos Santos

Na segunda passagem, o Santos estava impossibilitado de contratar por conta de dívidas que geraram o transferban da FIFA. Mas, em determinado momento, o clube saldou parte das dívidas e teve uma janela de poucos dias entre um bloqueio e outro para anunciar reforços. A demora na brecha para o Peixe contratar, por três vezes, o clube foi salvo das indicações de Cuca, em uma não teve jeito.

Elias, volante ex-Corinthians, Flamengo e Atlético-MG, treinou no clube, mas acabou acertando com o Bahia, onde, sem sucesso, acabou rescindindo após apenas 16 jogos.

Outra indicação do professor Alexi Stival, Zé Welison, então no Atlético-MG, seria envolvido no negócio que levou Eduardo Sasha e Everson ao clube mineiro, mas foi descartado pela gestão de Orlando Rollo. Após, foi para o Botafogo, onde ganhou espaço e deve ficar para a disputa da Série B 2021.

Thaciano, então no Grêmio, era mais um nome que poderia ter vindo ao Santos com o aval de Cuca e pela bagatela de R$ 11 milhões por 50% dos direitos econômicos. Com tudo acertado, o Peixe viu a dívida com o Huachipato do Chile, por Soteldo se transformar em punição e o negócio melou. Hoje, sem espaço no Grêmio, Thaciano está em negociações avançadas para ser emprestado ao Bahia, sem R$ 11 milhões na mesa de negociações, claro!

Por fim, Laércio, única negociação que se concretizou na segunda passagem de Cuca, veio do Caxias, de graça, mas não caiu nas graças (risos) da torcida. Após 16 jogos e um gol com a camisa alvinegra, o zagueiro rescindiu amigavelmente o vínculo e está em vias de acertar com a Chapecoense.

Divulgação SantosFC

Por quê Cuca não está tentando levar qualquer um dos cinco para o Galo? O técnico busca Marinho, Lucas Braga e Alison. Jogadores que podem ajudar na formação de uma grande equipe. Na minha modesta opinião, os cinco foram indicações para lá de medíocres de um técnico que, desde o título brasileiro com o Palmeiras em 2016, realiza trabalhos curtos e medíocres.

Por um lado, penso: que bom que o Santos não pôde contratar enquanto Cuca estava por aqui! Caso contrário, Zé Welison, Elias e Thaciano (que meio-campo, hein? Chega a machucar o cérebro só de imaginar) seriam parceiros de Felippe Cardoso e Laércio na lista de heranças de Cuca.

 

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Meu Peixão.

21 anos, estudante de Jornalismo na UNISANTA. Apaixonado pelo jornalismo, fanático por futebol.

1 Comentário

1 Comentário

  1. Fabiano Aparecido da Silva

    31 de março de 2021 às 19:38

    Desculpe, mas acho que a matéria não reflete o que o Cuca fez em 2020. Ambiente desfavorável, Diretoria amadora, dividas a perder de vista e vem um treinador que fez mais que o clube precisava. Um elenco de jogadores de nível baixo e que superou expectativas pelo emocional e raça. Cuca pode ter errado na final, mas nenhum torcedor e nem o mais sonhador se quer esperava estar lá para a disputa final . Cuca foi Severino ( faz tudo) no Santos e como qualquer profissional espera ser reconhecido e sabemos que isso não ia acontecer. Um funcionário que faz a função de 3 na empresa não vai crescer imediato e não vai ter investimento e rendimento, pois dá conta dessa forma e pra que mexer ? O clube vive de história e do nome Santos , mas já estamos vivendo a anos com administração amadora e corrupta. Cuca fez o que qualquer funcionário inclusive o autor da matéria faria . Sabia que ambiente no Galo não estava bom para Sampaoli e tem uma história no clube e que a proposta e condições de trabalho seria melhor e foi em busca de algo melhor , agora se vai dar certo ou não o tempo dirá . Assim como Holan que está tendo tempo para treinar e possa produzir o que se espera e não ser um Jair Ventura que teve tempo para treinar equipe na pausa da Copa do Mundo e demitiram na volta .

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