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Conheça a primeira mulher da história do CG que “driblou” o preconceito da mãe para acompanhar o Santos

Às vésperas do Dia da Mulher, o Portal Meu Peixão decidiu conversar e homenagear algumas figuras femininas que fizeram ou fazem parte da história do Santos. A reportagem entrevistou Mariza Brígido Mendes, primeira mulher da história a fazer parte do Comitê Gestor do clube, em 2020.

A advogada de 79 anos precisou “driblar” a marcação cerrada da mãe Zilda Brígido para poder assistir aos jogos do Santos na Vila Belmiro e até ouvir os programas esportivos da Rádio Atlântica, sua preferida. De acordo com Mariza, somente o pai sabia das desculpas da filha.

“Estive na Vila Belmiro pela primeira vez em janeiro de 1956, com 15 anos, acompanhado do meu tio e da minha tia, o Santos enfrentou o Taubaté na Vila Belmiro e se sagrou campeão paulista de 55. Era muita dificuldade para deixar eu sair. Eu era filha única e falava pra minha mãe que ia passear com meus tios, mas na verdade fomos acompanhar os jogos na Vila. Só meu pai sabia”, comentou Mariza, antes de falar sobre o amor em ouvir futebol no rádio.

“Eu ouvia os programas de esporte, ouvia a Rádio Atlântica. Minha mãe ainda não gostava de futebol, eu ia pro meu quarto, abria os livros para disfarçar e ficava ouvindo o programa. Minha mãe abria a porta, eu abaixava o rádio e ela pensava que eu só estava estudando. Depois de muito tempo, a minha mãe começava a ouvir os jogos do Santos para poder me acompanhar à distância. Ela não dormia até eu chegar em casa”, acrescentou.

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Tal amor fez Mariza viajar ao Rio de Janeiro para acompanhar o Santos conquistar o bicampeonato mundial contra o Milan, em 1963. Nem a chuva torrencial no dia fez a torcedora desanimar em assistir o “Esquadrão Imortal”, comandado por Pelé, Pepe, Coutinho, Dorval e Mengálvio, e considerar aquela partida como a mais inesquecível de sua vida.

Porém, quatro anos antes, o Rio já havia sido um lugar especial para a advogada. Ela conheceu seu marido Nelson Mendes. O rapaz era vascaíno, mas Mariza o transformou em um sócio do Santos.

“Fui ao Rio em 1959, fui a um casamento, conheci aquele que seria meu marido. Namoramos, noivamos através de cartas e telefonemas. Era vascaíno, mas quando veio para Santos, a primeira coisa que eu fiz foi torna-lo sócio do Santos”, comentou.

De sócio, Nelson virou conselheiro nos anos 70. A influência e o bom ambiente nas confraternizações fizeram a santista pensar em também virar conselheira após a morte do marido. Depois de uma ficha direcionada à presidência do Egrégio, Mariza e Vilminha se tornaram as primeiras mulheres a sentarem nas cadeiras do Conselho Deliberativo do Alvinegro.

Após ser conselheira e dedicar a vida ao Santos, a advogada foi convidada para se tornar membra do Comitê Gestor, na gestão de transição de Orlando Rollo, em outubro de 2020. Um dos desafios, além de tentar ajudar a situação financeira do clube, Mariza também precisava convencer a família a se reunir com o colegiado. De acordo com ela, foi uma honra ser uma das dirigentes mais fortes do Peixe.

“Foi uma honra me tornar a primeira mulher no Comitê Gestor. O (Orlando) Rollo me ligou em um domingo à noite, queria minha resposta rápida. Meus amigos e filhos não queriam porque tenho pavio um pouco curto, até estavam com medo de eu ser agredida na rua (risos), mas foi tranquilo. Fizemos um bom trabalho”, disse a advogada.

Ver o futebol feminino brasileiro evoluir e chegar no nível dos Estados Unidos, além do desenvolvimento de novos jogadores da base são desejos da ex-dirigente no Santos.

“Falta apoio, investimento, boa infraestrutura. As mulheres ganham pouco, elas estão certas em reclamar. Os Estados Unidos são potência, é onde a Marta joga. Já tivemos bons times no feminino, podemos repetir daqui um tempo. Já vi a Vila lotada para acompanhar os jogos das meninas, era muito lindo. Vemos jogadores do masculino ganhando R$ 1,5 milhão por mês. Acho que eu não chegarei a ver as meninas ganhando tudo isso (risos)”, explicou.

Talvez Mariza não consiga mesmo acompanhar o auge do futebol feminino do Brasil e no Santos, mas não há duvida que ela já virou exemplo de como ser forte e lutar para viver o time do coração seja como torcedora ou dirigente.

 

 

Formado em jornalismo pela Universidade Católica de Santos. Colaborou para o GloboEsporte.com, LANCE! e Esporte News Mundo.

1 Comentário

1 Comentário

  1. Nathalia

    8 de março de 2021 às 21:16

    Figura feminina que traz muito orgulho para os filhos e netos. Um grande exemplo de mulher. 👊🏼💪🏼🥰❤️

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