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Dia Nacional do Orgulho Gay: Torcedoras santistas se manifestam em apoio à causa

Crédito: Arquivo Pessoal

Marcada por ser uma data que celebra respeito e igualdade, o Dia Nacional do Orgulho Gay é sobre resistência. Comemorado neste 25 de março, o movimento que também é conhecido como Orgulho LGBTQI+, foi criado com o intuito de conscientizar os brasileiros sobre o recorte da população que luta diariamente pelo direito à vida.

Segundo dados do Grupo Gay da Bahia (GGB), o Brasil é o país que mais mata LGBTs em todo o mundo.  De janeiro  a 15 de maio de 2019,  foram contabilizadas 151 mortes por homofobia, ou seja, uma morte a cada 23 horas.

Alguns clubes como São Paulo, Palmeiras e Flamengo se manifestaram sobre a data. Visto como um clube inclusivo, o Santos também se posicionou em suas redes sociais.

O futebol, assim como o esporte em geral, reflete a cultura de uma sociedade patriarcal, homofóbica e machista, o que torna de suma relevância, a necessidade de apoio dos clubes de futebol e dos veículos de comunicação.

O Portal Meu Peixão reuniu algumas histórias de torcedoras santistas, que refletem a data.

Moradora da vila mais famosa do mundo, Jonilda Prado de 58 anos, coleciona muitas histórias com o clube. Sócia de carteirinha, a aposentada conta que herdou a paixão pelo time do seu pai, assim como seus quatro irmãos.

É no maior estilo ‘eu, você e o Santos’, que Jonilda fala com carinho sobre a sua companheira Carmen Cozzi de 58 anos, também torcedora do alvinegro praiano.

” Somos casadas desde 1988. Ela que me colocou como sócia. Íamos em todos os jogos na Vila, e já a levei no CT para tirar fotos com os jogadores”, recorda Jonilda, ao destacar como fundamentais as ações sociais que o clube promove, especialmente sobre o Orgulho Gay.

Jonilda e Carmen em jogo na Vila Belmiro

Representante da Torcida Jovem, Débora Meira valoriza a forma que o Santos se posiciona sobre a causa LGBT. Aos 31 anos, ela destaca o respeito como fator essencial, em busca pela igualdade, e se sente confortável em assumir sua sexualidade.

“Sempre fui muito aos jogos, gosto de acompanhar o Santos nos estádios. Nunca sofri preconceito por estar lá, mas recebo olhares diferentes quando vou ao banheiro. Facilmente me confundem com homem.  Muitas vezes eu ia em banheiro masculino para evitar confusão”, explica Débora, também influenciada pelo pai na escolha pelo time.

A jovem acredita que banheiro unissex não seria a solução na atualidade, pois o ambiente dos estádios ainda é masculinizado, e muitos homens não saberiam respeitar o espaço. Esse pensamento reflete a experiência da torcedora, ao frequentar banheiros desse tipo em shopping e baladas.

“Me sinto acolhida”, diz Letícia Morais, de 20 anos ao comentar o posicionamento do Peixe sobre o 25 de Março.

Assim como nas histórias anteriores, o amor pelo Santos também chegou até a jovem por meio de seu pai. Isso explica o motivo de muitas referências esportivas das mulheres serem masculinas. Ainda não é comum ouvir que elas se tornaram torcedoras por causa de suas mães, amigas ou tias, nem que seus atletas preferidos são do sexo feminino.

Letícia lembra com carinho do fanatismo de sua namorada Estefany Nuza de 18 anos, que a acompanha em vários jogos, “não namoraria uma rival”, brinca a moça.

Estefany e Leticia comemorando classificação na Libertadores

Para Taiane Miyake, mulher transexual, ativista LGBT e atual responsável pela Coordenadoria de Diversidade da Prefeitura de Santos, o futebol é o esporte que mais exclui torcedores e atletas.

A ativista recorda o caso do ex-jogador Richarlyson que precisou anunciar publicamente sua heterossexualidade.

“Sempre ouço que no futebol feminino as jogadoras são lésbicas, será? E se forem? Nenhum atleta deve ter sua sexualidade associada ao esporte, o desempenho profissional é o que importa”, declara.

Segundo Taiane, ações educativas e inclusivas são peças importantes para quebrar o preconceito que impera no esporte. Para ela, o apelo que o futebol tem, é o melhor caminho na conscientização.

“Os clubes precisam trabalhar jogadores e torcida, e literalmente erguerem bandeiras em campo. A LGBTfobia não se manifesta somente por meio da agressão física. Ela também é psicológica, e aparece por exemplo, em gritos de guerra com cunho sexual e homofóbico”, completa a ativista.

Nota: O Portal Meu Peixão tentou contato com homens e outros membros da comunidade LGBTQI+, para trazer um recorte maior do cenário, contudo, devido ao contexto de uma sociedade machista e homofóbica, infelizmente é comum que as pessoas resistam em falar sobre o tema. O Meu Peixão respeita e se coloca à disposição de todos que se sentirem confortáveis em contar suas histórias.

Jornalista graduada pela Universidade Metodista. Atualmente a única repórter de campo no ABC Paulista. Coleciona transmissões pela FPFTV, CBFTV e Santos TV.

2 Comentários

2 Comentários

  1. neli faria

    25 de março de 2021 às 23:42

    Parabéns.

  2. Jonilda Prado

    25 de março de 2021 às 20:53

    Parabéns pela matéria.
    Já demos muitos passos para frente diante do que era nós anos 70,80 e 90 , mas ainda temos muito a caminhar contra o preconceito.

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