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Conselho Deliberativo vota parecer do Conselho Fiscal sobre Demonstrações Financeiras de 2020 e homologação de 11 Embaixadas

O egrégio Conselho Deliberativo do Santos Futebol Clube realiza Sessão Ordinária, nesta segunda-feira (19/04), às 19 horas, para apreciar, discutir e votar parecer do Conselho Fiscal (CF) sobre as Demonstrações Financeiras de 2020, o último ano da gestão José Carlos Peres/ Orlando Rollo.

A Comissão Fiscal indica, de forma unânime, a reprovação das contas do exercício, aponta Gestão Temerária no período e solicita o encaminhamento para a Comissão de Inquérito e Sindicância (CIS) apurar responsabilidades e punições estatutárias. O próprio ex-presidente Orlando Rollo emitiu nota dizendo que irá votar pela reprovação das contas e que apontará discordâncias do relatório no foro adequado. Será a primeira vez na história do Santos que um presidente pede a reprovação de sus próprias contas.

O Conselho Fiscal é presidido pelo conselheiro eleito José Eduardo de Abreu Lopes (que foi membro do CF anterior), tem como relator o conselheiro efetivo Norberto Gonçalves Júnior (auditor da Receita e membro de CFs anteriores), e como membros os conselheiros eleitos Daniel Caldeira Brant, Bruno Peres Lopes e Carlos Henrique da Fonseca. Relator do CF anterior, Sylvio Figo também assina o relatório. As demonstrações foram auditadas pela Macso Legate Auditores Independentes.

Os números

Os totais de ativos do Santos fecharam em R$ 210, 039 milhões. Perda de cerca de R$ 12 milhões de ativos no exercício.
O passivo do exercício contabilizou R$ 119.836 milhões. O exercício passado fechou em superávit de R$ 23. 501 milhões. Vale lembrar que em 2019 foi contabilizado os valores totais de venda de Rodrygo, a maior venda da história do futebol sul-americano, e Bruno Henrique.
O Santos fecha o exercício com um passivo descoberto de mais de R$ 210 milhões. Ou seja, se o clube falisse e tivesse que vender todos os seus ativos ainda faltariam R$ 210 milhões para sanar o rombo financeiro do clube.
O relatório do CF aponta diversas irregularidades. Há uma diferença entre o orçado e o realizado sem pedido de suplementação de verbas pela gestão.

A arrecadação de receitas indica uma diminuição total de 13,51% do que estava orçado para ser arrecadado. As maiores diferenças se dá na arrecadação de receita de jogo e camarotes e cadeiras, que beiram os 90%, o que é compreensível diante da impossibilidade de público na maior parte da temporada em virtude da pandemia do Covid-19.

Em compensação os custos extrapolaram em 113,22%. Uma diferença entre orçado e realizado de R$ 153. 828 milhões. Ou seja, o Santos gastou mais do que arrecadou.
O Estatuto do Santos prevê dotações orçamentarias mínimas para diversos departamentos e, apesar do ex-presidente Peres sempre chamar o Departamento de Futebol de Base como joia da coroa, foi a única dotação obrigatória que não foi cumprida. O estatuto prevê que o Futebol de Base deve corresponder a 10% dos gastos do futebol ou 8,5% do total orçado e correspondeu apenas a 4,86% dos gastos do período, ou seja, pouco mais da metade do total obrigatório.

Com folha de pagamento o Santos gastou -16% do que gastou em 2019 gastando quase R$ 150 milhões. Porém o número de funcionários cresceu 10% passado de 423 para 466 colaboradores.
Foram apontados ainda irregularidades na contratação de atletas de base e nos contratos de renovação de Lucas Veríssimo e Sabino.

Contratos comerciais com Associação Ponto Positivo (Santos Moby Dix), Clube de Futebol Americano Tsunami (Futebol Americano, Powerliffing, Futebol de Amputados, Futebol de Mesa e Luta Olímpica), Portuários (locação de campos) e Red Vision Produtora (filmes) foram apontados como não estarem de acordo com o Estatuto.
Há previsões de contingências judiciais na ordem de R$ 112.568 milhões, são recursos de possíveis derrotas judiciais que são previstas no balanço.

O relatório aponta suspeitas em um acordo com a empresa RWM em relação a comissão de pagamento relativo ao atleta Bruno Henrique e entende que o mesmo é lesivo ao Santos e pede investigação da CIS. O mesmo foi feito com um acordo com a FK Sports em relação a comissão do dinheiro da ida de Neymar ao PSG que é alvo de discussão judicial desde 2018.

O relatório mostra ainda que o Santos tem três processos na FIFA por atletas contratados mas não pagos, um já acordado (Felipe Aguillar), um com punição vigente (Soteldo) e uma punição eminente (Cueva).
O CF ainda questiona o pagamento de comissão na contratação do técnico Jesualdo Ferreira, e na renovação de Francisco Santos, Lucas Lourenço, Lucas Veríssimo, Sabino, Cristiane, Tayla e Thaisinha.
Mesmo as obras mereceram citação. Valores gastos além do orçado na reforma dos refletores da Vila, do campo sintético do CT e da quadra do Ginásio Athié Jorge Coury foram apontados.

Os famosos gastos de cartão corporativo de Peres não foram esquecidos. O ex-presidente ainda não quitou R$ 16.727,79 dos gastos irregulares apontados em 2019. Ao invés de gastar nos cartões, Peres passou a pedir reembolsos que totalizam R$ 158.519,18 apresentados em Notas Fiscais por Peres, seu motorista e segurança.
Atrasos de envio das atas do CG, falta de controle do patrimônio imobilizado, e ausência de organograma e planejamento estratégico também foram apontados.

Os débitos de impostos mais que dobraram em 2020 comparados a 2019. No total R$ 45.705 milhões de débitos, destes R$ 44. 902 milhões de Imposto de Renda retidos na fonte, o famoso crime de apropriação indébita.

Rollo

Presidente no último trimestre do exercício de 2020, Orlando Rollo emitiu nota dizendo que, como conselheiro eleito que é, vai votar pela aprovação do relatório do Conselho Fiscal, ou seja, pela reprovação das contas de sua própria gestão. Confira abaixo a nota de Rollo:

“Quando assumimos a gestão em 29 de setembro de 2020, as contas relativas ao exercício em vigência já estavam virtualmente reprovadas. O orçamento já estava comprometido gravemente antes mesmo do fechamento do 3º trimestre. Portanto, tecnicamente, somos favoráveis a reprovação das contas do exercício fiscal de 2020. Impossível salvar em apenas um trimestre as contas de um ano inteiro gerido sob a égide de uma gestão temerária de um Presidente que inclusive foi cassado. Em nosso período, a prioridade foi administrar o fluxo de caixa, priorizando despesas urgentes, acordos emergenciais e os gastos com o futebol, procurando preparar o Clube em seus processos e até mesmo melhorar a estrutura operacional que estavam seriamente afetados, além de trazer receitas através de novos patrocinadores e ações pontuais de marketing com a participação direta do torcedor. Porém, com as nossas realizações conseguimos nesse exíguo tempo resgatar a confiança de nossos atletas e funcionários, alcançando uma histórica final de Libertadores da América, obtendo um excelente resultado esportivo considerando a forma que encontramos o Clube. Sobre os nossos atos de gestão em específico, as informações que constam do relatório do Conselho Fiscal estão incompletas, desconexas e desacompanhadas de contexto plausível. Estudos e pareceres técnicos, assim como decisões judiciais que embasaram resoluções administrativas não foram consideradas. Não foi permitido o contraditório, considerando que houve um acusador formal (totalmente alheio ao curso normal do processo) fato este que consta do próprio parecer. Essa é apenas uma das irregularidades que apontamos no relatório do Conselho Fiscal que foi apresentado fora de prazo estatutário e de forma politizada, diferentemente do relatório da auditoria independente, totalmente isento e técnico, que não apontou nenhuma irregularidade em nosso período de gestão. Nos manifestaremos no foro adequado”.

Embaixadas

Além da aprovação das contas, a pauta prevê a homologação de 11 embaixadas: Cubatão, Dourados, Fortaleza, Guarujá, Guarulhos, Jundiaí, Mossoró, Osasco, Ribeirão Preto, São José dos Campos e São Vicente. A homologação terá polêmicas. Há embaixadas com protocolo de mais de 1 ano e meio no Conselho e que ainda não foram votados. À época, essas embaixadas tinham os 100 sócios pedidos no Estatuto para serem homologadas. Com a demora, duas delas acabaram diminuindo esse número: Mossoró (RN)e Fortaleza (CE). O presidente do Conselho, Celso Jatene, em decisão monocrática decidiu vetar a participação dos membros dessas embaixadas na reunião, apesar das mesmas estarem no edital, e não deve levar para votação essas homologações. O fato tem gerado desconforto entre todos os embaixadores do clube, que estão se mostrando indignados e solidários as duas embaixadas vetadas. Os embaixadores estão pedindo a Jatene que as homologações ou não sejam decididos pelo plenário do Conselho, uma vez que o atraso do próprio Conselho e a pandemia foram determinantes para a diminuição de sócios. O Santos perdeu 2 mil sócios reis em 2020.

Comissão do Estatuto

Outro ponto da pauta da reunião é a homologação do nome de Carlos Henrique da Fonseca Filho em substituição a Marcelo Martins Sion na Comissão do Estatuto.

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