Conecte-se

Colunas

As três pernas do tripé no Santos

Nós, torcedores e associados, passionais que somos, às vezes deixamos a razão de lado e somos movidos pela euforia, desejamos morder mais do que podemos mastigar, como já diria Frank Sinatra em “My Way”. Não retiro uma palavra da minha última coluna em que alertei que Andres Rueda deveria se cercar de pessoas que realmente entendem de futebol, para dar o contraponto acerca do que é minimamente necessário ter para que as receitas não diminuam por conta de eliminações e vexames, e que as dívidas e boletos continuem sendo honrados. Até utilizei a frase “não adianta cortar o capim e torcer para vaca dar leite”.

Porém, eu enxergo a estrutura de uma equipe de futebol vencedora, ou no mínimo em vias de se tornar vencedora, como um tripé que suporta todo o peso e responsabilidade de manter um clube com a envergadura e história do Santos Futebol Clube, o mais alto possível dentro do padrão de grandeza e competitividade do que se exige hoje no futebol.

Nesse tripé temos a gestão financeira, no que tange a gerir as receitas e dividendos, toda a estrutura de comissões técnicas, desde a base ao profissional, e por fim, o plantel de jogadores que afunilam todo o trabalho realizado por trás das cortinas, dentro do campo.

Hoje, não temos saúde financeira, não temos um corpo técnico, e muito menos um plantel que dignifique a grandeza do Santos. Por isso, é necessário construímos uma via de mão dupla entre a relação de santistas que estão dentro e fora do clube. Aqueles que detém o poder, e aqueles que sustentam o poder.

Mas o fato é que fomos esnobados por Lisca, Guto Gordiola (que nunca chuparam laranja com ninguém), entre outros. Hoje é mais atraente para um técnico fazer um bom trabalho num time pequeno do que entrar no olho do furacão em um time grande sem um projeto futebolístico sólido como o Santos atual. Quem viria como técnico hoje? Diniz desempregado e procurando mudar a imagem de xingador de jogadores, Luxemburgo que foi oferecido, e talvez Dorival pela décima vez.

É claro que eu queria Renato Portaluppi como técnico do alvinegro, é claro que eu quero Gilberto do Bahia, Jean Pyerre, De La Cruz, Montiel, Benedetto e Jorge como adição no plantel de jogadores. É claro que eu queria Zé Roberto (embora eu prefira Emerson Leão para o cargo) como diretor executivo, mas se isso acontece sem responsabilidade fiscal, viraremos um Cruzeiro em poucos meses. Precisamos qualificar o elenco da maneira mais enxuta possível. Talvez trazendo investidores como parceiros, assim como o rival da capital fez, ficando apenas com taxa de vitrine de eventuais futuras transações, ou talvez buscando empréstimos de jogadores em baixa, mas que detém qualidade para dar a volta por cima, possivelmente tentando trazer jogadores que se destacaram nos estaduais que tem seus contratos encerrados ao findar dos campeonatos, mas algo precisa ser feito. O problema é que ou não temos ninguém aparentemente capacitado fazendo essa análise, ou a diretoria consegue costurar acordos sem nenhum vazamento. Algo inimaginável nos dias de hoje. E o próprio presidente afirma que não haverá contratações antes de fechar com um técnico. Logo, isso vira um looping eterno que já dura mais do que deveria durar.

Hoje, nós temos poucas balas para tantos alvos e inimigos a serem derrubados. Nossa dívida não é a maior do país, mas será que estamos arrecadando tanto quanto os que devem mais? Será que dentro da gestão, há pessoas capazes de aumentar as receitas, diminuir as despesas, e sanar as dívidas? Não tenho dúvidas. Porém, não tem um ali dentro que tenha o mínimo de conhecimento e planejamento desportivo para que a camisa branca mais mítica do mundo pare de ser chacota em programas televisivos, e não fique sendo esnobada por gente que não tem currículo nem para ser convidada a assumir um cargo na comissão técnica do maior brasileiro do mundo?

O relógio está correndo, o Paulista já foi, a Libertadores está se esvaindo pelos dedos, e com ela se vão as premiações do mata-mata, e consequentemente se torna mais difícil, sem elas, pagar os boletos que tanto queremos pagar. E ai? Tanto os torcedores quanto a direção do clube precisam entender que arrancar uma das pernas do tripé, vai fazer com que o clube caia, e macule o branco que iluminou o mundo.

 

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal Meu Peixão

Advogado, nascido e criado na cidade da Vila mais famosa do mundo. Alvinegro apaixonado e consciente desde 95 graças ao Messias. Metódico, sistemático e cheio de TOCs, maluco por história, estatísticas e táticas no futebol.

1 Comentário

1 Comentário

  1. Carlos Alberto Valente

    5 de maio de 2021 às 12:15

    Concordo que tem Que se cercar de pessoas que entendem de futebol mas que tenha que ter idoneidade senão a barca afunda da mesma maneira.

Deixe uma resposta

Anúncio

Veja Também

Mais em Colunas

%d blogueiros gostam disto: