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Análise da temporada 2021: uma das piores da história, mas que termina com um fio de esperança para 2022

Foto: Ivan Storti / Santos FC

Finalmente a temporada de 2021 se encerrou para o Santos Futebol Clube, e uma reflexão do que aconteceu ao longo do ano se faz necessário.

Há exatamente um ano, Andres Rueda foi eleito presidente do Peixe para o triênio 2021-2023, somando 3936 votos. O novo mandatário encontrou um clube em uma situação financeira caótica, sem perspectiva de novas grandes contratações e sendo necessário negociar titulares.

Ainda no final da temporada passada, nas primeiras semanas de gestão de Rueda, o zagueiro Lucas Veríssimo foi vendido ao Benfica (POR) e o volante Diego Pituca foi negociado com o Kashima Antlers (JAP).

O Santos perdeu diversos titulares ao longo de 2021. (Foto: Andre Penner / Pool/Getty Images)

No comando da equipe também houve um revés, pois Cuca decidiu pela renovação de seu contrato com o Alvinegro Praiano, de modo que para a temporada atual o escolhido fora Ariel Holan. O argentino desembarcou em Santos com muitas expectativas, haja vista seus trabalhos recentes comandando Defensa y Justicia (ARG), Independiente (ARG) e Universidad Católica (CHI).

Dentro do campo, diversos jovens passaram a integrar de fato o elenco profissional, vide Kaiky e Gabriel Pirani.

Em razão da pandemia de COVID-19, a qual afetou também os calendários futebolísticos, a 38ª rodada do Brasileirão 2020 ocorreu em 25/02 e o Paulistão iniciou-se para o Peixe três dias depois. A ausência de pré-temporada foi algo que afetou o Santos e o trabalho de Ariel Holan, pois a equipe não teve tempo suficiente para treinar, ainda mais quando sofreu diversas perdas em seu elenco, o qual ainda contava com jovens tendo de assumir a responsabilidade.

Ariel Holan comandou o Peixe por pouco tempo. (Foto: Ivan Storti / Santos)

No Paulistão, o Santos acumulou resultados ruins, somando apenas treze pontos em doze jogos, tendo umas das piores campanhas de sua história. Ainda, a equipe se salvou do rebaixamento apenas na última rodada, batendo o São Bento por 2 a 0.

Na Copa Libertadores da América, o Peixe até começou bem, vencendo o Deportivo Lara por 2 a 1 e empatando fora de casa; após, venceu o San Lorenzo por 3 a 1 na Argentina, a melhor partida de Holan no comando do Santos e, na volta, empate em 2 a 2 no Brasil.

Um grande perda do Santos ocorreu no início de abril, com a lesão do jovem volante Sandry. O atleta havia se firmado como titular e demonstrava grande potencial.

No final de abril, o Santos se viu obrigado a vender uma de suas estrelas, Yeferson Soteldo, ao Toronto (CAN), tendo em vista a dívida com o Huachipato (CHI). Com a venda do “baixinho”, o Alvinegro Praiano conseguiu a liberação de um transfer ban. Ainda, o Santos garantiu 12,5% de uma futura venda, caso o venezuelano se transfira para algum clube de fora da MLS.

Ainda, na mesma semana que perdeu Soteldo, o técnico Ariel Holan pediu demissão, a qual foi aceita pela direção. Os resultados ruins da equipe não vinham agradando o torcedor santista, e o principal foi a queima de fogos na frente do apartamento do argentino, que não ficou satisfeito com a situação. Holan somou doze partidas no comando do Peixe, com quatro vitórias, três empates e cinco derrotas.

Com o Campeonato Paulista e a Copa Libertadores em andamento, restou a Marcelo Fernandes assumir interinamente o comando da equipe por quase duas semanas.

Em 7 de maio, após o fim do Campeonato Paulista, Fernando Diniz foi escolhido para assumir o cargo de técnico do Santos. O início do trabalho empolgou alguns santistas, principalmente após vencer um dos rivais internacionais do Peixe, o Boca Juniors, na Vila; porém, como dito acima, o Peixe não conseguiu se recuperar na maior competição de clubes da América do Sul.

Fernando Diniz oscilou no comando da equipe e foi despedido após quatro meses. (Foto: Ivan Storti / Santos FC)

No sexto mês do ano, o Peixe começou sua caminhada na da Copa do Brasil, vencendo as duas partidas contra o Cianorte.

Na metade de junho, o colombiano Jonathan Copete não teve seu contrato renovado com o Santos. À época, atacante se despediu como o maior artilheiro estrangeiro da equipe.

No fim do mês de junho, em comum acordo com a diretoria, o goleiro Vladimir rescindiu seu contrato. O arqueiro, que ficou marcado pelas exibições na reta final do Paulistão de 2015, estava no Santos desde 2003, tendo subido ao profissional em 2009. A saída do goleiro, o último Menino da Vila da geração de Neymar Jr. e Ganso, marcou o fim de uma era.

Vladimir era o último Menino da Vila da geração Neymar e Ganso que ainda estava no Santos. (Foto: Neymar Jr. / Instagram)

Na metade julho, o Santos estreou nas oitavas da Copa Sul-Americana, deparando-se com o maior vencedor da Copa Libertadores da América, o Independiente (ARG). Na partida de ida, vitória por 1 a 0, com gol de Kaio Jorge; na volta, outro gol do camisa 9 garantiu o empate em 1 a 1 e a classificação para as quartas de final.

Próximo do final de julho, pelas oitavas da Copa do Brasil, o Santos venceu o Juazeirense por 4 a 0 na Vila, uma das melhores partidas de Diniz no comando alvinegro.

Sob a ótica de elenco, o mês de julho não foi bom para o santista, que viu a perda de duas peças importantes em sua espinha dorsal. O zagueiro Luan Peres foi vendido ao Olympique de Marseille (FRA) e o centroavante Kaio Jorge rumou para a gigante Juventus (ITA).

Iniciando agosto, um Santos apático perdeu para o Juazeirense por 2 a 0, na partida de volta das oitavas da Copa do Brasil.  Nas quartas da Copa Sul-Americana, o Santos caiu para o Libertad (PAR), após vencer por 2 a 1 na Vila e sofrer um revés pelo placar mínimo na volta. O sinal de alerta havia fora ligado.

Fora de campo, o volante Alison se despediu na metade de agosto. O Menino da Vila, peça recorrente nos últimos anos, foi negociando junto ao Al-Hazem (SAU).

Logo no início de nono mês do 2021, o técnico Fernando Diniz foi demitido, após derrota por 2 a 1 para o Cuiabá. Os resultados ruins no Brasileirão foram o principal motivo da demissão, com a equipe ocupando a 16ª colocação.

Três dias após a demissão do antigo treinador, Fábio Carille foi o escolhido da diretoria para comandar uma equipe que não encantava e corria sério risco de rebaixamento. Os primeiros resultados não foram bons, mas devemos relembrar: Santos 0x0 Bahia, Santos 0x1 Athletico, Ceará 0x0 Santos, Juventude 3×0 Santos e São Paulo 1×1 Santos.

O número 10 tem uma mística no Santos. A camisa 10 se tornou o número mais importante do futebol mundial, e isso se deve a chegada de garoto que residia em Bauru, um tal de Edson Arantes do Nascimento. E foi no décimo mês de 2021 que as coisas melhoraram de fato para o Santos.

A camisa 10 se tornou a mais importante do futebol graças a Pelé. (Foto: Netshoes)

No dia 10/10, o Santos venceu o Grêmio por 1 a 0 na Vila, era a primeira vitória de Carille no comando da equipe. Ainda em outubro, foram mais duas vitórias, 2 a 0 frente ao Fluminense e 1 a 0 sobre o Athletico.

Fora das quatro linhas, no dia 27, a contratação do multicampeão Edu Dracena para o cargo de gerente de futebol foi extremamente importante. Foi um dos maiores acertos de Andres Rueda no ano de 2021. Há anos o Santos não tinha um homem forte comandando o futebol.

O mês de novembro foi importante para o Santos em sua luta contra o rebaixamento. Em sete partidas, foram três vitórias, dois empates e duas derrotas. O centroavante Marcos Leonardo ganhou oportunidade na equipe titular, após lesão do veterano Diego Tardelli, e se comportou como um verdadeiro Menino da Vila, anotando três gols em duas partidas.

No último mês do ano, o Santos tinha pela frente Flamengo e Cuiabá, de maneira que somar pontos era necessário para selar sua permanência na Série A.

No último dia 6, o Alvinegro Praiano enfrentou o Flamengo. O ambiente assustava, era um Maracanã lotado, além disso o Santos enfrentava uma equipe “mordida” pela derrota recente na final da Libertadores. A equipe de Carille não se acovardou frente ao Flamengo, jogou como Santos, segurava o Flamengo atrás e atacava quando via oportunidades, principalmente pelas pontas. Aos 28 minutos do primeiro tempo o torcedor santista viu o coração subir até a boca e voltar, com o gol de Pedro anulado após análise do VAR. No segundo tempo, o gol de Marcos Leonardo, o quarto em três partidas, fez o santista respirar; ainda, o atleta demonstrou personalidade, dirigindo-se a torcida do Flamengo que ocupava todo o Maracanã e pedindo silêncio. No segundo tempo, um pênalti marcado para o rival preocupou o torcedor, afinal Gabriel só tinha perdido uma penalidade com as cores do time carioca; e o impensável aconteceu, o atacante finalizou na trave, perdendo a oportunidade. As defesas de João Paulo, que cresceu na frente do camisa 9, foram importantes para garantir a vitória do Peixe e afastar de vez o risco de rebaixamento.

Marcos Leonardo foi peça importante do Santos nas últimas partidas do Brasileirão. (Foto: Ivan Storti / Santos FC)

Na última rodada, o Santos empatou em 1 a 1 com o Cuiabá, após sair atrás no placar. Com o resultado, o Santos se classificou para a Sul-Americana do ano seguinte. E ali encerrou-se uma das temporadas mais preocupantes de toda a história centenária do Santos.

Vejamos bem, essa temporada não foi fácil. Novamente, se faz necessário citar que Andres Rueda assumiu o Peixe numa situação caótica, sem dinheiro em caixa, com transfer bans cercando o Peixe no início da gestão e sem grandes patrocinadores expressivos. Perdemos diversas titulares ao longo da temporada, como Lucas Veríssimo, Luan Peres, Diego Pituca e Kaio Jorge.

A reconstrução foi lenta, dolorosa e necessária. Com o pouco dinheiro que tinha, o Peixe trouxe nomes que ajudaram ao longo da temporada, vide Camacho, Emiliano Velázquez, Marcos Guilherme e Vinicius Zanocelo.

Dentro de campo, o Rei da América de 2020, Marinho, teve uma das piores temporadas de sua carreira, sofrendo com diversas lesões. Sem dúvidas, foi algo que a equipe sentiu.

2021 foi a pior temporada de Marinho com a camisa do Santos. (Foto: Ivan Storti / Santos)

Diversos jovens ganharam muitas oportunidades nesta temporada, tendo acumulado muita experiência. Podemos esperar grandes coisas de Kaiky, Vinicius Zanocelo, Gabriel Pirani, Sandry, Ângelo e Marcos Leonardo em 2022.

Contudo, devemos sempre nos lembrar do que aconteceu ao longo desta temporada: permanência na Série A do Paulistão confirmada na última rodada do Paulistão; queda na fase de grupos da Libertadores; queda nas quartas da Sul-Americana; queda nas quartas da Copa do Brasil; permanência na Série A do Brasileirão confirmada na 37ª rodada.

As contas em dia é uma obrigação, clubes não podem dever e cada vez mais se afundar em um buraco sem fim. Contudo, o futebol também deve ser protagonista e necessita de boa gerência. O que aconteceu ao Grêmio neste Brasileirão deve servir lição para todo grande clube.

Fábio Carille e Edu Dracena foram dois dos principais responsáveis pela recuperação do Santos no Brasileirão. (Foto: Ivan Storti / Santos)

A contratação de um homem forte para o futebol demorou para acontecer, foram dez meses aguardando alguém que chegasse para liderar. Após a recusa de Zé Roberto em maio, o Santos apostou em nomes desconhecidos e pagou o preço, que por sorte não foi maior.

Vejo a permanência de Fábio Carille como positiva e um acerto de Edu Dracena e Andres Rueda. Alguns alegam que ele não demonstra um futebol vistoso; que suas equipes não são ofensivas, contrariando o DNA do Peixe; outros até mesmo o chamam de “retranqueiro”, principalmente pelos resultados alcançados no Corinthians. Porém, Carille assumiu o Santos em um de seus piores momentos na história e demonstrou forças, junto a liderança de Dracena, para lutar pela permanência na Séria A do Campeonato Brasileiro. A questão defensiva é um problema do Santos há muitos anos, mas com Carille no comando foi a melhor do segundo turno. Em partidas disputadas desde sua chegada, o Alvinegro Praiano teve o quinto melhor aproveitamento.

A renovação de João Paulo, um dos melhores goleiros do país, e do jovem Ângelo, não cedendo parte de seus direitos econômicos, foram vitórias fora de campo neste fim de 2021.

Ainda, nos últimos dias, nos despedimos de Jean Mota, Pará, Diego Tardelli e Danilo Boza.

Em entrevistas, Edu Dracena e Fábio Carille citaram a necessidade de reforços. O zagueiro Eduardo Bauermann, destaque do América Mineiro, é o primeiro reforço para 2022. Neste momento, é leviano citar nomes ventilados, mas esperamos que a reconstrução ocorra, e com responsabilidade.

No arrecadamento do Peixe, o contrato de patrocínio com a Binance foi um ótimo acerto, afinal o Peixe receberá U$ 10 milhões para estampar a marca ao longo de três anos. O valor praticamente se equipara ao pago pela BMG em 2011 e 2012, quando contávamos com as duas maiores estrelas que atuavam no país, Neymar Jr. e Paulo Henrique Ganso.

Os próximos anos podem ser melhores para o Santos, com uma gestão comprometida e profissional. O torcedor e o Santos não aguenta mais gestões amadoras e com falta de transparência; negócios nebulosos sendo realizados; empresários caminhando pelos corredores, mandando e desmandando, como se deles o clube fosse; contratações que chegam por altos valores, cujos resultado em campo não fica a altura.

E que venha 2022!

Santista chato e impaciente, torcedor da geração das 8 pedaladas, FIFEIRO (infelizmente) e advogado nas horas vagas.

1 Comentário

1 Comentário

  1. Leonardo Socio 10

    13 de dezembro de 2021 às 12:19

    Excelente

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